Postagens

TRABALHAR NA CERÂMICA TORNOU-SE MAIS IMPORTANTE QUE ESTUDAR?

Imagem
TRABALHAR NA CERÂMICA TORNOU-SE MAIS IMPORTANTE QUE ESTUDAR? O trabalho dignifica o homem, bradava de maneira assertiva o sociólogo Max Weber quando defendia sua tese acerca das ações sociais mais potentes e dignas observadas na sociedade da época. A frase continua válida nos dias atuais; sobretudo em um país assolado pelo desemprego e com uma carga considerável de desalentados. Contudo, a proposição perde sentido quando os agentes por trás da força laboral são adolescentes ou jovens em idade escolar. Esse retrato é muito comum Brasil afora, no qual milhares de estudantes optam por uma atividade com remuneração precária, a ter que passar algumas horas na escola.  A contextualização ganha ainda mais força no interior brasileiro, onde a formatação rural responde por uma parcela significativa de indivíduos ausentes da escola, todavia inseridos em trabalhos daquele meio. Ao focarmos no povoado de Beira Rio, município de Oliveira dos Brejinhos-Ba, notamos o quão essa realidade é present...

QUANDO A LÓGICA DA VIDA SE INVERTE

Imagem
QUANDO A LÓGICA DA VIDA SE INVERTE Viver é uma experiência única para o ser humano e o faz distinto em relação aos outros animais. A sofisticação envolvida na transmissão da cultura, por exemplo, só é possível graças aos mecanismos presentes no emaranhado novelo que é a vida. Desde sempre, são os pais os responsáveis em transmitirem para os filhos as coordenadas do mundo e, quiçá sejam elas, suficientes para se ter êxito. Além disso, ensinam também a lógica subjetiva por trás de todo o funcionamento das coisas.  Contudo, às vezes a tal lógica se altera e traz à tona um cenário totalmente inesperado. De todo surpreendente, diga-se, mas, certamente, inevitavelmente doloroso em muitos casos. Dentre esses episódios, o mais inaceitável, sem dúvida, é a triste sina de pais que enterram filhos. Aí configura-se um erro na estrutura da vida que faz qualquer previsão se tornar um mero andar no escuro. Descortina-se, portanto, uma deprimente realidade enfrentada por muitos. Filhos repres...

SER SIMPLES NÃO É SER PORCO, SENHOR PRESIDENTE

Imagem
    SER SIMPLES NÃO É SER PORCO, SENHOR PRESIDENTE Em todos os períodos históricos a sociedade se dividiu basicamente em duas categorias: os abastados – donos do poderio econômico e por apontar as tendências a serem seguidas; e os pobres – maioria absoluta vivendo em condições vulneráveis e responsáveis pela força de trabalho a bancar toda a engrenagem social. No Brasil, esse último grupo, a luz do ideário socialista da época, foi denominado como o proletariado; e assim como no resto do mundo, se destacou na luta por uma origem mais digna. Com o passar dos anos, frente às mudança impingidas pelo estilo de vida contemporâneo, a simbologia refletida na resistência dos menos favorecidos ainda continua realçada. Não pela imagem distorcida sugerindo pouco asseio como quis evidenciar o Presidente da República, mas sim pelos esforços diários de um povo inconformado com sua realidade. Aos desatentos aos noticiários, o episódio mencionado ocorreu há alguns dias e retratava o chefe do...

O ESTRANHO NO NINHO

Imagem
    O ESTRANHO NO NINHO A festa está animada! A música estrondosa passeia por todo o ambiente e embala a azaração e os inúmeros goles da insaciável sede dos boêmios. Os grupos estão formados, cada um com suas afinidades, e você ali, no meio do espetáculo, se perguntando, pela milésima vez, por que estou aqui? Essa é a tal sensação de não pertencer. Pode acontecer em uma determinada área ou até mesmo na vida por inteira. Assim, o sujeito se sente um estranho perante a tudo à sua volta, como se fosse alheio a este mundo e descompassado com os mecanismos presentes nele. No trabalho, nos laços afetivos, no seio familiar, são exemplos de estadas desconfortáveis sentidas por algumas pessoas ao longo de um viver marcado principalmente por um contínuo incômodo em estarem fora do ninho. O modo de organização e de atuação da sociedade também pode gerar inquietação a esses indivíduos; afinal, para eles, as prioridades e os anseios normatizados, que a maioria das pessoas persegue, não des...

O CINISMO VIROU REGRA

Imagem
  O CINISMO VIROU REGRA    Alberto é uma pessoa introspectiva, de poucas palavras e avesso a qualquer tipo de preconceito. Ele enxerga o próximo com cortesia e igual em direitos e deveres além de, sobretudo, digno de total respeito. Raul é o típico sujeito extrovertido. Comunicativo irrecuperável, fala aos montes, inclusive de forma negativa de todos. Sobre o diferente, ele é implacável, pois se deleita em ser preconceituoso e, se contrariado nos seus caprichos, não hesita    em prejudicar seu opositor. Bajulador inveterado, não se envergonha em mentir e finge adulação com o propósito de ter vantagens futuras. Ambos são engenheiros e estão hospedados em um hotel para uma conferência naquela cidade. Ao serem recebidos pelo gerente do lugar, Alberto se porta de forma discreta, apertando a mão que lhe foi estendida e com um sorriso fraterno cumprimenta o homem.    Raul, por sua vez, é mais espalhafatoso. Sorri largamente, tapeia as costas do seu interloc...

DA SOLIDÃO À SOLITUDE

Imagem
DA SOLIDÃO À SOLITUDE  Uma questão um tanto curiosa está empregada na narrativa fundacional da nossa cultura, o Gênesis; ali, prenuncia-se a vontade de Deus na criação; dando origem a todos os animais, em pares, macho e fêmea, de acordo a espécie e o habitat. Porém, um único ser fugiu a essa máxima, e ainda que carregasse a imagem e semelhança divinal no seu âmago, nasceu sem ninguém; Adão. Ao menos no princípio, o primeiro homem era uno em sua classe e a ideia era manter a condição nesse patamar, contudo as coisas mudaram. Embora o personagem bíblico não tenha reclamado por estar só, viu-se a necessidade de criar uma companhia para ele, e de sua costela surge Eva. Até então, ele desconhecia a solidão, pois jamais experimentara contexto diferente daquele de início. A partir do surgimento da sua companheira o cenário se alterou; agora há um outro, uma mulher, suficientemente distinta dele para assim ter um afastamento minimamente alinhado, mas nem tanto, em razão de assim prese...

O SAL DA VIDA É A MORTE

Imagem
O SAL DA VIDA É A MORTE A beleza das coisas encontra-se em sua finitude e que responde à fragilidade irremediável de cada ser ao se perceber como fator limitado. Uma flor artificial não é tão bela quanto à pétala crescida nos campos; e assim é, sobretudo, por sua continuidade irrefreável. A brevidade da vida a deixa mais frágil e suscetível aos desafios salutares para o crescimento do indivíduo, e com sobras esse marco de imprevisibilidade se transforma na força motriz para qualquer sujeito sabedor do seu protagonismo. Falar sobre a morte quase sempre foi concebido como um tema espinhoso. Até mesmo os povos mais antigos evitava a explanação acerca da não-existência; embora alguns, como os  egípcios, por exemplo, entendiam-na apenas como uma passagem para um outro plano. As crianças dialogam com mais naturalidade quando o assunto é a morte, afinal, para elas, a compreensão de vida é ainda precoce e inexiste o conceito de passado e futuro. Já os idosos são mais reticentes, especialme...

SOBRE O MEDO

Imagem
 SOBRE O MEDO Se existe uma dinâmica mais ou menos padronizada perante a uma vida razoavelmente equilibrada, sem dúvida seus elementos se encontram presentes no medo.  Esse, entendido como uma reação instintiva da espécie humana, não pode ser visto como algo negativo; pois, de fato, produz efeitos necessários que garantem a sobrevivência. Nem mesmo seu caráter abstrato pode contestar tal afirmativa, uma vez sendo perceptível o rigor da sua atuação ao longo da construção do homem no transcorrer da história. O medo, em tese, não nos destrói, mas exige uma análise atenta quando sua dominância se acentua. Nesse estado, o indivíduo é forçado a abrir mão do controle sobre si próprio para viver escravizado entre questões subjetivas. Confirma-se, então, um novo estágio ligado à uma patologia denominada pelas ciências médicas como fobia. Imposta essa condição, julga-se necessário a busca por ajuda especializada a fim de evitar quadros complexos e incapacitantes ao paciente. Entretanto,...

O PUXA-SACO E SUA FALSA VISÃO DE MUNDO

Imagem
O PUXA-SACO E SUA FALSA VISÃO DE MUNDO O “chaleira” no norte do país, “baba ovo” em São Paulo, ou o bajulador nas esferas literárias; dá no mesmo! Estamos falando do tão conhecido puxa-saco! Esse sujeito tem uma marca registrada e não passa sem ser notado nem mesmo nas densas multidões. Ele se rebaixa para agradar o seu alvo e o fio condutor da sua atuação é alimentado pela necessidade ávida de agradar a quem lhe pode garantir benesses ou favores.     Na esfera pública ou no setor privado, encontramos os bajuladores dos mais variados tipos. Temos aquele que é o puxa-saco escancarado. Para ele, não há embaraço em demonstrar seu afã desvairado;  ao contrário, a exposição atesta sua identidade como pessoa e o torna membro de um clube restrito, com todo o bem-estar ilusório desse estado.   Há  também o retraído. Esse tipo de puxa-saco posa como equilibrado, mas, uma hora ou outra, perde o controle e deixa à mostra sua paixão. Geralmente quando isso ocorre, re...

A VAIDADE E O ESTADO DE ALIENAÇÃO

Imagem
A VAIDADE E O ESTADO DE ALIENAÇÃO O comportamento humano é complexo. Há indivíduos inclinados a trilhar caminhos difíceis fadados a encontros com desastres previsíveis; já outros refinam a estratégia escolhida e colhem melhores resultados. O grau de liberdade ofertado a cada um nesse processo não é muito claro, sobretudo pela engenhosidade contida nas circunstâncias inesperadas da vida. Porém, é razoável aquiescermos que essa falta de clareza se concentra naquilo denominado por Tomás de Aquino como o pior dos pecados: a vaidade.  O vaidoso assemelha-se a um balão de gás; embora cheio, não há conteúdo ali, e a aproximação desse vazio o desampara a tal ponto de nem mesmo perceber acerca das alternativas disponíveis. Configura-se nesse instante uma ruptura do pensamento. A soberba é mãe de outros defeitos, e à medida que descaracteriza o pensar, conduz o homem à escuridão. Compreender a vaidade como algo intrínseco à humanidade é fazer um juízo ponderado ligando-a com o que é passagei...

O PRESENTE É A ÚNICA COISA QUE TEMOS

Imagem
O PRESENTE É A ÚNICA COISA QUE TEMOS "O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação." Frase dita por Simone Beauvoir, filósofa francesa marcada pelo movimento existencialista do início do século XX. O trecho em destaque traz uma concepção enraizada sobre a importância do agora e os desdobramentos gerados aí. Trata-se, portanto, de olharmos para o hoje e selarmos de uma vez as pazes com ele; em tempo, abrirmos mão do que passou e decididamente rechacemos esse impulso quase doentio de esperar pelo futuro.  Ao fazer uma análise à sombra da pergunta de quais são os principais males da existência no mundo moderno, inevitavelmente teríamos a conclusão albergada nos epicentros da ansiedade e da depressão. Certamente ambas as patologias, tão difundidas nas ciências médicas, encabeçam a lista dos grandes desafios a serem superados pela sociedade; e parte desse enfrentamento está diretamente atrelado à compreensão do tempo. Afinal, a depressão é o condic...